Quarta-feira, Julho 8

Michael Jackson

O que é que ele fez?

A sério!

Expliquem-me!

Quero sinceramente compreender!

Foi o Thriller? Foi o Moonwalking?

O que é que o homem fez para merecer tanto alarido?!?


Li vários textos no qual se referiam a ele como sendo o "Rei do Pop"...

Vamos a ver se compreendemos uma coisa: a música pop, é, por definição, a música de que mais gente gosta a qualquer determinado momento.
É música que tenta ser o mais igual a ela mesma, para agradar ao maior número possível de gente, para corresponder ao maior número possível de expectativas.
É música cujo principal objectivo é ser mastigada e cuspida e depois passar ao próximo hit single, boys band, jail-bait ou hip-hopper. É música de massas. Música cujo único propósito é ser vendida para que alguém muito mais esperto do que as pessoas que a ouvem, possa enriquecer muito.

Logo ser o "Rei da Música Pop" não é uma coisa boa!!!
É o mesmo que dizer que ele era o Rei da Mediocridade!

Se é que o era!

Mas sabem o que É que ele era?

Um pedófilo...

A única razão pela qual ele não é tratado como o Bibi da Casa Pia é porque tinha dinheiro suficiente para calar as famílias das crianças abusadas.


De qualquer modo...

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Domingo, Julho 5

Arrábida World Music Festival

Este ano, nos Santos Populares, já enebriado pelos copos, algures pela bica, conheci um tipo que quando soube que eu era de Setúbal disse, entre outras coisas que o alcool já apagou da minha memória, que a minha cidade natal, Setúbal, era a cidade do país com maior potencial mas que não passa de uma merda.
Não me vou prolongar pela história da cidade até porque a conheço mal. Mas é uma verdade universal que a sua energia existencial se degradou a um ponto terminal... culturalmente, economicamente e socialmente. É uma cidade quase morta e todos dizem sempre que cheia de potencial, pelas pessoas, pela arrábida, pelo sado, pelo peixe e choco frito, por troia e voltando ao inicio, pelas pessoas, que como noutras cidades existem, mas contrariamente ás outras cidades não existem.
Isto tudo para dizer que tivemos uma visita do espaço, talvez de Saturno. Uma visita que jamais imaginei nesta cidade quase morta. Uma visita entre outras que transformaram esta cidade em dois dias. Refiro-me a Sun Ra Arkestra e à sua presença no Arrábida World Music Festival, onde em dois dias passaram Tinariwen, Tcheka, Legendary Tiger Man, DJ Café del Mar, Sun Ra Arkestra, Mazgani e Heavy Trash.
Simplificando, em dois dias o melhor cartaz de um festival este ano passou pela minha cidade e dentro de um castelo iluminado a ver as luzes da cidade e a baía pudemos assistir ao primeiro batimento cardiaco da cidade após um longo período de assistolia cultural.

Sun Ra Arkestra ao vivo foi um momento histórico para mim. Quem não conhece Sun Ra precisa de rever alguma história da música e do jazz, porque estamos a falar de um dos pais do avantgard jazz. Sem ele não haviam john zorn, nem uma paleta interminável de artistas experimentais modernos. Fica aki um video:



Fica aki o link do festival e do site oficial da arkestra:

http://www.awmfestival.com/

http://www.elrarecords.com/sunra.html

Aos que perderam este evento fiquem atentos, muito atentos,.. para o ano haverá mais. Se o cartaz mantiver a mesma qualidade então estamos perante um pequeno ressuscitar de Setúbal e o início de um evento de culto para todos aqueles que gostam de boa musica "do mundo" e do "espaço".

Sexta-feira, Julho 3

City of Ember



Pronto, ok, admito: eu sou um fã de steampunk por isso ia sempre gostar deste filme!

De uma forma ou de outra ia gostar do filme.

Está bem que tem uma história gira apesar de muito batida, tem bons actores (Bill Murray, Tim Robbins), um crescendo aliciante e uma boa banda sonora.

Mas se não tivesse nada disso e ainda tivesse os cenários e as roupas e o ambiente, eu ia adorar o filme na mesma. A minha imparcialidade cinéfila (?) desaparece por completo quando se trata de steampunk.

Mas houve uma coisa que me chamou à atenção.

De entre os vários filmes de fantasia juvenis que têm aparecido e que têm invariavelmente actores adolescentes/jovens como protagonistas, há uma tendência geral que os permeia a todos: o actor principal é um enconado.

É verdade! Parecem todos saídos dos morangos com açúcar!

Apercebi-me disso quando estreou o Eragon (2006), com o Ed Speleer como actor principal:

Ed Speleer - Coninhas

No entanto, no City of Ember (2008), o actor principal, Harry Treadaway, consegue não ser um enconado e até ter uma interpretação que não parece saída de uma telenovela (gasp!!!):

Harry Treadaway - bom actor (?!)

De qualquer modo, o filme é muito giro apesar de não ter nada de realmente original para além do ambiente criado.

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Segunda-feira, Junho 22

Fanboys



Eu sou um fanboy.

É verdade!

É preciso admiti-lo!

Admiti-lo é o primeiro passo...



...para se ser mais fanboy ainda!!!!!!!!!!

Porque um fanboy não se envergonha da sua geekice! Exulta nela, torna-a ponto de honra!
Um fanboy que negue a sua geekice não merece respeito.

Este filme é TÃO BOM!!!!!!!!

Qualquer geek que se preze tem de o ver!

Nem que não seja para procurar as referências e os cameos!

O filme não tem nada de especial: quatro amigos decidem entrar no rancho Skywalker para roubar uma cópia do Episódio I para o ver antes de estrear.
É um road movie basicamente.

Mas é muito divertido!

No fim acaba por ter um toquezinho dos filmes do Kevin Smith. Aquela tolice toda muito grande com uma mensagem simples e poderosa muito bem disfarçada lá pelo meio, bem escondida para ver se ninguém repara que o filme até é bom!

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Sábado, Junho 20

2012

Exames, demasiado ocupado para ver filmes, quanto mais escrever sobre eles...

Deixo-vos com um trailer que explicita o meu próximo mês e meio.

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Domingo, Maio 31

Eden Lake



Eu gosto de filmes de terror.
Mesmo dos maus.
Às vezes sobretudo dos maus!!!

Isto porquê?
Porque os filmes de terror dividem-se em 77% de filmes de terror que não assustam, que estão basicamente mal feitos e que são só medíocres em todos os aspectos, 20% de filmes incrivelmente maus, mas tão maus, que voltam a ser bons, e uns pequenos 3% que são bons filmes de terror.

Esta pequeníssima fracção de filmes de terror bons faz com que o apreciador de filmes de terror tenha de gostar dos filmes de terror muito maus, caso contrário era um frustrado do caraças.

Raramente, deparo-me com um filme que cai nestes 3%.

Ainda não foi desta vez! Mas raios se não esteve muito perto!

Só digo que não foi desta vez porque Eden Lake não cai exactamente dentro daquilo que se categoriza como filme de terror, acho eu.
É mais um thriller... ou coisa do género. Não sei, mas não o consigo ver exactamente como filme de terror..

De qualquer modo!

James Watkins, na sua estreia como realizador, safa-se incrivelmente bem com Eden Lake, sobretudo se tivermos em conta que também o escreveu.

Um casal, Jenny (Kelly Reilly) e Steve (Michael Fassbender), vão passar o fim de semana a um lago que vai ser destruído para lhe construírem um condomínio fechado em cima (ou à volta, não percebi bem). Lá chegados, começam a ser importunados por um gang local, que se torna progressivamente mais violento, e é tudo muito divertido até que alguém acaba morto. Depois o resto do filme é uma longa e tortuosa perseguição.

Se isto vos parece familiar, é porque é. É a premissa de dezenas de filmes de terror que já viram antes.

MAS!

Este filme é britânico, e os ingleses têm feito boas coisas no terror ultimamente (The Descent, 2005). Se tivesse sido feito por americanos seria, certamente, muito diferente.

Assim sendo, e como é, o filme consegue ser brutal.

Em todos os sentidos, mas sobretudo fisicamente.

O filme é violento! Muito violento!!! Não há por aí além sangue a espirrar, nem grandes cenas de pancadaria, mas a violência que é mostrada é crua, explícita e sobretudo credível.
Não cai em exageros que a poderiam tornar estilizada, mas também não se coíbe de a mostrar.
Houve cenas que me deixaram genuinamente agoniado (!).

Mas sobretudo há violência emocional.
O gang de adolescentes que persegue o casal é frio e infantil na sua agressividade. A perseguição é longa e cansativa. Não conseguimos não nos identificar com a personagem principal (extremamente bem interpretada por Kelly Reilly) à medida que lhe vão acontecendo as coisas mais escabrosas!

Não há aqui cenas de cair-na-lama-e-voltar-a-levantar-se-com-o-penteado-bem-arranjado! Não, as personagens ficam sujas, rotas, enlameadas, ensanguentadas! A filmagem deve ter sido um horror para os actores.
Só vendo para perceber do que estou a falar.

Imaginem este filme como sendo uma parte Deliverance, uma parte Clockwork Orange e uma parte Funny Games.

Não é que seja um filme de terror, mas é um filme muito muito assustador.

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Quarta-feira, Maio 27

The Iron Giant



Eu já era fã de Brad Bird à custa do The Incredibles (2004) e Ratatouille (2007), por isso foi com grandes expectativas que fui ver a sua primeira longa-metragem de animação: The Iron Giant (1999).

E o filme superou as minhas expectativas!!!

Mas completamente!

Muito basicamente, o filme conta a história de Hogarth, um rapaz de 11 anos que encontra no bosque perto de sua casa um robot gigante de metal vindo do espaço, e começa a tratá-lo primeiro como um animal de estimação e depois como um amigo, tendo de o defender do agente do governo que o quer destruir.

Sim, eu sei que parece o típico argumento de filme infantil, mas não é!

A história progride de uma forma muito calma, muito compassada, sem nunca dar mais a entender do que é absolutamente necessário, e aborda temas invulgarmente adultos (à semelhança de The Incredibles).

Outro aspecto em que o filme é excelente é na sua recriação da América de 1957. Os carros, as roupas, as séries de tv, as mobílias, as músicas, a ameaça vermelha, a geração beatnik... está lá tudo, maravilhosamente explorado e inconspícuo, a criar um ambiente verdadeiramente credível.

A animação é clássica, tendo a particularidade de ter sido o primeiro filme em que a personagem titular (o robot) é completamente gerado por computador. No entanto os animadores, antes de inserirem o modelo de computador nos frames animados classicamente, sobrepuseram-lhe um filtro para simular as imprecisões da animação convencional permitindo assim uma integração perfeita.

A interpretação vocal está extremamente bem feita, com nomes como Jennifer Anniston, Harry Connick Jr. e Vin Diesel (aposto que não conseguem perceber onde) no elenco.

Vale realmente a pena ver esta pérola da animação!

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Domingo, Maio 17

The Happening



Foi com grande relutância, numa noite em que não tinha mesmo nada melhor para ver, que finalmente vi o The Happening do Night Shyamalan.

Deixem-me explicar: Eu vi o The Sixth Sense (1999) e fiquei abismado! A história era inteligente, o filme assustador, o twist quase imprevisível! Pensei "ora aqui está um excelente filme!!!".

Depois vi o Unbreakable (2000) e fiquei maravilhado! A história era outra vez inteligente, o filme era carismático, o twist bastante satisfatório! Pensei "ora aqui está um excelente realizador!!!"

Depois saiu o Signs (2002). Fui vê-lo cheio de expectativas e pensei "E pronto, fez merda....". O filme é mesmo muito mau, e estúpido.

Cheio de medo lá fui ver o The Village (2004). Não desgostei, as interpretações era boas, a atmosfera bem criada, mas o twist final já soava a mais do mesmo. Era demasiado igual a si mesmo e começava a cansar. Mesmo assim não desgostei do filme.

Em 2006 sai o Lady in the Water que eu fui ver com esperança que o Shyamalan finalmente se redimisse. Aquilo que descobri foi uma pérola de filme, com uma história muito gira, mas que no final de contas é pouco mais que um conto infantil, e tem de ser visto dessa forma para poder ser apreciado. Caso contrário o filme volta a ser mau.

Por isso quando comecei a ver o The Happening (2008) era sem saber o que esperar. Será que o Shyamalan ia voltar a fazer mais um The Village? Será que ia voltar a ser tão mau como o Signs? Será que por milagre conseguiria voltar aos tempos áureos do Sixth Sense?

Nada disto.

The Happening deve ser um dos filmes de terror mais originais que eu vi nos últimos tempos.
A premissa é simples: e se as plantas subitamente decidissem que não nos querem por cá, e libertassem toxinas para o ar para nos matar?
Como é que fugíamos? Onde é que nos protegíamos?

O filme toma essa premissa, e parte numa progressão lógica (?) de eventos a partir daí, seguindo um casal de sobreviventes à medida que estes se vão apercebendo do que se está a passar e nas estratégias que arranjam para sobreviver.

O que tornou este filme tão interessante para mim foi a ideia de que subitamente, ao ver o filme, dei por mim a olhar para as árvores e plantinhas como os agressores do filme, os elementos dos quais ter medo.
Quando, numa cena, aparecia uma planta, os meus sentidos de espectador de filme arrebitavam-se em antecipação. Como a música do Jaws antes do tubarão aparecer, a visão de uma planta num vaso era o suficiente para criar em mim a expectativa de que algo assustador ou violento ia acontecer.

E quando um realizador consegue fazer com que o seu filme cause este tipo de reacções perante algo tão inofensivo (?) como uma planta, então é porque está a fazer alguma coisa bem!

O que é óptimo, porque o resto do filme não é lá grande coisa. As interpretações são medianas a fracas (gostei do facto de o filme não ter heróis, nem ninguém se comportar como um herói, mas o Mark Whalberg não consegue transmitir a sensação de medo e desorientação que se quereriam da personagem principal), o argumento arrasta-se um bocado em muitas partes do filme, a música é o que se esperaria, para além de ter alguns clichés.

O fim é bom, apesar de não ser exactamente o que se esperaria (ou exactamente o que se esperaria, se o quiserem ver dessa forma).

De qualquer modo, não é um mau filme, mas há coisas melhores para ver.

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Sábado, Maio 16

Star Trek (2009)



Fui ver este filme com muita curiosidade, mas sem grandes expectativas, apesar de duas fontes seguras me terem garantido que o filme era muito bom!

Em primeiro lugar porque eu sou mais fã de Star Wars do que de Star Trek (apesar de também gostar de star trek!) e em segundo lugar porque sabia que o filme era uma prequela a tudo.

Prequelas são muito difíceis de fazer bem, mais difíceis de fazer bem do que sequelas.
Porque ao passo que uma sequela parte de uma premissa estabelecida e só tem de construir a partir daí, uma prequela tem de não só re-estabelecer essa premissa, como encaixar em todas as premissas determinadas pelos filmes anteriores (que dentro da cronologia da história, são depois).

Ora, quem melhor para desenvencilhar e reconstruir a premissa de uma história tão envencilhada e construída como a do Star Trek, que o escritor e realizador por excelência de histórias envencilhadas: J.J. Abrams. (estava a falar do Lost, se não perceberam)

A história é muito boa.
Apresenta-nos todas as personagens de uma forma que faz sentido, é rápida e divertida, consegue cobrir todos os pormenores que queremos ver explorados, faz uma ligação perfeita com todos os outros filmes e ainda assim consegue estabelecer uma nova premissa para futuros filmes.
J.J. Abrams, juntamente com Roberto Orci e Alex Kurtzman contam a história muito engenhosamente e de uma forma muito esperta.

Não vos vou contar os pormenores da história, mas posso dizer-vos que começa mesmo mesmo no início antes de qualquer uma das personagens sequer entrar para a tripulação da Enterprise.

As personagens...



O casting está excelente, com todos os actores a terem semelhanças físicas com os actores da série original. Mais do que isso, conseguem encarnar essas personagens clássicas e dar a sensação de que estamos realmente a ver versões mais jovens dessas personagens. Isto passao muito pela escrita dessas personagens, mas também pelo trabalho dos actores, muitos dos quais contactaram directamente com os actores originais para receberem conselhos ou direcções sobre como interpretar as personagens.

Zoe Saldana, Anton Yelchin, e John Cho que interpretam, respectivamente, Uhura, Chekov e Sulu, são relativos desconhecidos, tendo entrado em outras séries ou filmes sem grande relevo.

Nota especial para Simon Pegg que interpreta Scotty, numa actuação que peca por ser tão pequena. Eu queria ver mais do Scotty.
Sim, ele diz "I'm givin' it all she's got, Captain!"...

Karl Urban faz de 'Bones' McCoy, e fá-lo muito bem.

Zachary Quinto (de quem eu nunca tinha ouvido falar) faz de Spock, e também o faz muito bem, conseguindo fazer transparecer o conflito interno de uma personagem ainda muito dividida entre duas espécies e ao mesmo tempo transmitir toda a força da personagem de Spock.

Temos um excelente vilão, interpretado por Eric Bana (quase irreconhecível) e a fazer uma excelente actuação.

De notar ainda Winona Ryder, num papel pequenino a fazer de mãe do Spock.

Chris Pine interpreta o Capitão James T. Kirk. Para o fazer, o Chris Pine relata que se inspirou noutras personagens como Maverick (do Top Gun), Han Solo (Star Wars) ou Indiana Jones (Star Wars) que ele considerava que tinham as características de Kirk, arrogância, decisividade e charme.
Chris Pine faz muito bem o seu papel, no entanto não consegue chegar aos pés deste senhor:



O filme está extremamente bem filmado, com planos do espaço e das naves absolutamente lindos e espantosos. Tem um ritmo que nunca desacelera, sem no entanto se tornar cansativo, tem uma quantidade supreendente de humor (à semelhança da série original, e ao contrário da maioria dos remakes que temos visto ultimamente).

A banda sonora está adequada, e no fim até temos uma adaptação do tema original, que soava tão deliciosamente ao tema do Love-Boat.

Em suma: se são fãs da série não se vão desiludir, se não são fâs da série ou não a conhecem, mas gostam de um bom filme de ficcção científica de acção, também não se vão desiludir!

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Domingo, Abril 26

Rachel Getting Married



Vi este filme sem grandes expectativas.

Inicialmente pensava que era uma comédia romântica e pu-lo imediatamente de parte, mas depois várias pessoas disseram-me que não era bem assim, e por isso lá o vi.

É bom ver filmes sem expectativas.

Porque não estamos preparados, não temos preconceitos, não podemos levantar barreiras emocionais porque não sabemos o que lá vem. E acho que isso é preciso para ver este filme.

Muito basicamente, Kym (Anne Hathaway) passou os últimos 10 anos dentro e fora de reabilitação de toxicodependência, mas no dia do casamento da sua irmã Rachel ( Rosemarie DeWitt) regressa como enfant terrible que é, para revolver um pouco as coisas.

Desta premissa poder-se-ia esperar uma comédia, mas o filme é tudo menos uma comédia.

Mas também não é um filme de acção, nem um filme de aventuras, nem de ficção científica, nem de nada desse género. É um filme de personagens e de relações entre personagens. Por isso se não são capazes de tolerar um filme inteiro só com pessoas a falarem umas com as outras (às vezes a gritar e a chorar) este filme não é para vocês.

Para as 5 pessoas que ainda me estão a ler, e que têm alguma sensibilidade no que toca à condição humana e a filmes bons, deixem-me dizer-vos que este filme é uma bomba. É um murro no estômago emocional.

As relações entre Kym e o Pai (Bill Irwin), Kym e a Irmã Rachel, Kym e a sua Mãe (Debra Winger) são altamente carregadas, com multifacetadas e com vários níveis.

O filme consegue transmitir o impacto do regresso da irmã toxicodependente a um ambiente familiar que se esforça por a acolher, sem saber bem como, e como ela se tenta adaptar, sem saber bem como.
Mostra como a irmã "boa" que sempre foi posta de lado em detrimento dos problemas da irmã, se revolta por querer que o seu dia de casamento seja só para si.
Mostra um pai devastado pelo distanciamento dos filhos, que não sabe bem como lidar com isso.
Mostra uma mãe que se afastou pela morte do filho (eu falei em distanciamento, incluindo isto, mas não digo mais) e que já não se sabe relacionar com as filhas.
Mostra, sobretudo relações de amor deturpadas por anos de culpas e dores infligidas mais ou menos propositadamente.

É muito intenso.

Anne Hathaway tem uma interpretação fortíssima, extremamente credível, e que a distancia completamenta das comédias tolas que caracterizam a sua carreira até agora.

O realizador é Jonathan Demme, que realizou em 1991 The Silence of the Lambs mostra-nos este filme de uma forma intimista. A câmara alterna-se entre uma que segue as personagens por cima do ombro delas, que simplesmente as persegue pela casa, como se não houvesse grande guião a ser seguido, e as filmagens amadoras que os vários convivas fazem durante o casamento.
Tudo isto se conjuga para nos inserir dentro do filme, dentro daquela casa e daquela família, mas nunca como membro, apenas como observador externo.
Tornamo-nos voyeurs desta família disfuncional.

E há momentos, discussões, cenas que estão de tal maneira bem escritas, bem interpretadas e bem filmadas, que sentimos constrangimento por estarmos a ver coisas tão íntimas, como se não devêssemos ali estar, como se devêssemos sair e dar privacidade para que aquelas pessoas pudessem falar sobre a dor e raiva entre elas.

Um filme que passa despercebido entre os Óscares e os Blockbusters de verão.

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