Se uma obra quando vai buscar claramente inspirações a outras obras precedentes é:
a)meramente uma cópia, uma derivação do mesmo tema, sem trazer nada de novo ou inovador, apenas um clone criada para sacar mais umas massas da mesma população alvo.
OU
b)pega no melhor que essas obras tinham e actualiza-as para uma visão actual, sem no entanto perder a essência original e integrando-o naturalmente no produto final, criando sentimentos de nostalgia e de gosto pelo reconhecimento.
A primeira é, obviamente, má e a segunda é boa.
Por exemplo:
O filme 2012 é pura e simplesmente um aglomerado de todos os filmes de catástrofes que vieram antes. Tem meteoros, tem terramotos, tem tsunamis, tem vulcões, tem tempestades...tudo! Não consegue ser original em nenhum aspecto, sendo apenas uma repetição desenxabida.
Já o Kill Bill é uma homenagem aos westerns e filmes de yakuzas. Está cheio de referências e piscares de olhos que o cinéfilo experiente é capaz de reconhecer e apreciar. Pega nos elementos clássicos de ambos os géneros e mistura-os numa sinfonia de violência estilizada.
Tudo isto é profundamente discutível. A obra derivativa de um homem é a homenagem de outro.
Isto vem de certa forma a propósito de um jogo que eu comprei recentemente (mas que ainda não chegou... curse you CTTs!!!!) chamado Darksiders - The Wrath of War.
O jogo é uma mistura de God of War e Zelda, não só em termos visuais, mas sobretudo em jogabilidade. A grande discussão é se isto é uma coisa boa ou má. Há quem diga que sim, quem diga que não.
Onde é que se define a thin red line entre o que é derivativo e o que é homenagem?
Para aqueles de entre vós que não gastaram centenas de horas (mesmo! eu tenho 130 horas de jogo no Final Fantasy X) a jogar jogos de computador e que provavelmente não tiraram todo o proveito cómico e referencial da comic, aqui ficam imagens explicativas
Como o meu filho ia ter um teste de História, estive a estudar com ele e a fazer-lhe perguntas. A matéria era relativa à Idade Média. As classes sociais, o modo de vida de cada uma delas, pronto, esse tipo de coisas. Foi uma experiência muito engraçada, sobretudo para quem acompanha jornais e telejornais.
Estava eu a estudar os privilégios da nobreza e dei logo comigo a pensar que em Portugal , ainda não saímos bem da Idade Média. Na Idade Média, a mobilidade social era praticamente nula. A nobreza vivia fechada sobre si própria usufruindo dos seus próprios privilégios. Relacionavam-se entre si, casavam-se entre si, frequentavam os mesmos castelos, participavam nas mesmas festas e banquetes, olhando para o povo do alto dos seus privilégios sociais e económicos.
Ora, se virmos o que se passa em Portugal , temos de chegar à conclusão que no Estado há décadas dominado pelo PS e pelo PSD, existe cada vez mais uma feudalização da sociedade assim como uma organização social cada vez mais endogâmica.
Um bom símbolo da nossa miséria é o casamento entre a filha de Dias Loureiro, amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues, amigo íntimo de Paulo Pedroso, irmão do advogado que realizou a estúpida e milionária investigação para o Ministério de Educação e amigo de Edite Estrela que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates, líder do partido ao qual está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport.
Talvez isto ajude a explicar muito do que se passa com a Justiça, a Economia, a Educação. Sobre a Educação, a minha área, vale a pena pensar um bocadinho. Haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública? Outra vez: haverá gente em Portugal a beneficiar com a degradação da escola pública? Há. Claro que há.
Ora bem, quer entender porquê? E quem são? Quer mesmo? É fácil. Experimente a sentar-se um pouco com o seu filho a estudar História.