sábado, maio 16

Star Trek (2009)



Fui ver este filme com muita curiosidade, mas sem grandes expectativas, apesar de duas fontes seguras me terem garantido que o filme era muito bom!

Em primeiro lugar porque eu sou mais fã de Star Wars do que de Star Trek (apesar de também gostar de star trek!) e em segundo lugar porque sabia que o filme era uma prequela a tudo.

Prequelas são muito difíceis de fazer bem, mais difíceis de fazer bem do que sequelas.
Porque ao passo que uma sequela parte de uma premissa estabelecida e só tem de construir a partir daí, uma prequela tem de não só re-estabelecer essa premissa, como encaixar em todas as premissas determinadas pelos filmes anteriores (que dentro da cronologia da história, são depois).

Ora, quem melhor para desenvencilhar e reconstruir a premissa de uma história tão envencilhada e construída como a do Star Trek, que o escritor e realizador por excelência de histórias envencilhadas: J.J. Abrams. (estava a falar do Lost, se não perceberam)

A história é muito boa.
Apresenta-nos todas as personagens de uma forma que faz sentido, é rápida e divertida, consegue cobrir todos os pormenores que queremos ver explorados, faz uma ligação perfeita com todos os outros filmes e ainda assim consegue estabelecer uma nova premissa para futuros filmes.
J.J. Abrams, juntamente com Roberto Orci e Alex Kurtzman contam a história muito engenhosamente e de uma forma muito esperta.

Não vos vou contar os pormenores da história, mas posso dizer-vos que começa mesmo mesmo no início antes de qualquer uma das personagens sequer entrar para a tripulação da Enterprise.

As personagens...



O casting está excelente, com todos os actores a terem semelhanças físicas com os actores da série original. Mais do que isso, conseguem encarnar essas personagens clássicas e dar a sensação de que estamos realmente a ver versões mais jovens dessas personagens. Isto passao muito pela escrita dessas personagens, mas também pelo trabalho dos actores, muitos dos quais contactaram directamente com os actores originais para receberem conselhos ou direcções sobre como interpretar as personagens.

Zoe Saldana, Anton Yelchin, e John Cho que interpretam, respectivamente, Uhura, Chekov e Sulu, são relativos desconhecidos, tendo entrado em outras séries ou filmes sem grande relevo.

Nota especial para Simon Pegg que interpreta Scotty, numa actuação que peca por ser tão pequena. Eu queria ver mais do Scotty.
Sim, ele diz "I'm givin' it all she's got, Captain!"...

Karl Urban faz de 'Bones' McCoy, e fá-lo muito bem.

Zachary Quinto (de quem eu nunca tinha ouvido falar) faz de Spock, e também o faz muito bem, conseguindo fazer transparecer o conflito interno de uma personagem ainda muito dividida entre duas espécies e ao mesmo tempo transmitir toda a força da personagem de Spock.

Temos um excelente vilão, interpretado por Eric Bana (quase irreconhecível) e a fazer uma excelente actuação.

De notar ainda Winona Ryder, num papel pequenino a fazer de mãe do Spock.

Chris Pine interpreta o Capitão James T. Kirk. Para o fazer, o Chris Pine relata que se inspirou noutras personagens como Maverick (do Top Gun), Han Solo (Star Wars) ou Indiana Jones (Star Wars) que ele considerava que tinham as características de Kirk, arrogância, decisividade e charme.
Chris Pine faz muito bem o seu papel, no entanto não consegue chegar aos pés deste senhor:



O filme está extremamente bem filmado, com planos do espaço e das naves absolutamente lindos e espantosos. Tem um ritmo que nunca desacelera, sem no entanto se tornar cansativo, tem uma quantidade supreendente de humor (à semelhança da série original, e ao contrário da maioria dos remakes que temos visto ultimamente).

A banda sonora está adequada, e no fim até temos uma adaptação do tema original, que soava tão deliciosamente ao tema do Love-Boat.

Em suma: se são fãs da série não se vão desiludir, se não são fâs da série ou não a conhecem, mas gostam de um bom filme de ficcção científica de acção, também não se vão desiludir!

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domingo, maio 18

Hot Fuzz

Uau.

UAU

UAU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Hot Fuzz (2007) é, sem dúvida alguma, o melhor filme que eu vi o ano todo!!!!!

E eu já vi muitos filmes este ano, e tenho a certeza que vou ver mais ainda, e ainda assim mantenho esta afirmação!!!

Quantos dos leitores viram o filme Shaun of the Dead (2004)?
Cinquenta?
Dez?
Vá lá, eu sei que das centenas de pessoas que me lêem todos os dias, alguma terá visto o Shaun of the Dead!
Anunciem-se nos comentários! Vá, não sejam tímidos!

Shaun of the Dead foi escrito por Simon Pegg e Edgar Wright, e é uma paródia a filmes de zombies. Já o mencionei aqui uma vez, e tenciono, eventualmente, escrever sobre ele. Mas teriam de ter visto o filme para compreender a frase seguinte:
Hot Fuzz é tão bom, ou melhor, como Shaun of the Dead!

Mas pronto, para as pessoas que não viram nenhum dos filmes, deixem-me explicar melhor.

O agente da Polícia Metropolitana Londrina, Nicholas Angel, é destacado para uma pequena aldeia rural da Grã-Bretanha profunda por ser demasiado bom no seu trabalho e fazer parecer mal os seus colegas por comparação. Em Sandford, Gloucertshire, Nick Angel vai deparar-se com o velho espírito comunitário das pequenas aldeias, uma estação de polícia da idade média e uma pacatez assustadora.
Habituado à acção brutal de Londres, Angel tem dificuldade em adaptar-se à pacatez, e o seu zelo policial entra em conflito com os agentes locais que não estão habituados a mais do que impedir que jovens da cidade façam graffitis na fonte da praça.
Mas rapidamente Angel começa a notar uma quantidade estranha de "acidentes" que ocorrem na pacata aldeia, e começa a suspeitar de um homicida entre os aldeões.

Obviamente que a história não se esgota neste resumo (que corresponde a cerca de 1/3 do filme) mas contar-vos mais seria a estragar a piada do filme. Mas confiem em mim quando vos digo que é surpreendentemente inteligente (definitivamente mais do que seria necessário para atingir os seus objectivos).
Mas não só é inteligente, como é surreal! Ultrapassa o surreal! Cresce de uma forma lenta, mas progressiva e inexoravelmente para um estado de absoluto caos e violência! A história consegue surpreender e superar as expectativas que se tem dela várias vezes durante o filme.
Como se isto não fosse suficiente, é ainda possível detectar nela (para quem se der ao trabalho de ver) uma exploração sincera, sem se tornar lamechas ou exagerada, da amizade, e uma análise assustadora das "pacatas aldeias rústicas" perdidas pelos interiores.

Em termos de humor, o filme está perfeitíssimo. Não cai nas piadas fáceis, e quando o faz, fá-lo com uma auto-consciência divertidíssima. Tem tudo, desde os trocadilhos, aos diálogos divertidos, às situações absolutamente surreais, o absurdo, a tolice pura. É extremamente divertido!!!

DS Andy Wainwright: You do know there are more guns in the country than there are in the city.
DS Andy Cartwright: Everyone and their mums is packin' round here!
Nicholas Angel: Like who?
DS Andy Wainwright: Farmers.
Nicholas Angel: Who else?
DS Andy Cartwright: Farmers' mums.

O filme tem um rol de actores excepcional! Começando por Simon Pegg e Nick Frost (ambos são também os protagonistas em Shaun of the Dead)) que são os dois excelentes actores e conseguem ter uma química incrivelmente credível. Vêm os dois da escola da comédia televisiva britânica, e isso nota-se na sua naturalidade e excelente capacidade para encarnarem as suas personagens.
Depois temos ainda Jim Broadbent (Moulin Rouge, Iris), Timothy Dalton (License to Kill), Paddy Considine (In America) e Bill Nighy (Pirates of the Caribbean: Dead Man's Chest, Love Actually), bem como uma selecção de ilustres secundários que provavelmente vão reconhecer das imensas séries e filmes britânicos dos últimos anos.
Raios, até Cate Blanchett e Peter Jackson fazem pequenos cameos!

Hot Fuzz resulta numa paródia aos policiais de acção. Tem as perseguições, tem os tiroteios, tem as armas e as explosões (tudo numa pacata aldeia rústica).
Mas ao passo que outros filmes caem nos clichés inadvertidamente, Hot Fuzz exulta nos seus clichés! Enquanto que outros filmes fazem referências de uma forma disfarçada, quase escondida, Hot Fuzz dá-vos referências até sangrarem do nariz!
É uma festa de pequenos piscares de olho ou acenos de cabeça aos clássicos do género! Basta prestarem atenção e procurarem que vão encontrar referências às dezenas.
Mas talvez dizer que Hot Fuzz é uma paródia ao género do policial-de-acção seja uma injustiça. Hot Fuzz corrompe o género do policial-de-acção! Explora os seus pequenos defeitos e expõe-nos ao mundo.
Hot Fuzz aborda o género com rebuçados para ganhar a confiança dele, apenas para o drogar, vendar, atirar para o porta bagagem de um carro e depois, numa cave mal-iluminada, o violentar à bruta.

Até a banda sonora é um brinco! Rápida e barulhenta, a música imiscui-se no filme ao mesmo tempo que nos diz exactamente o que esperar do filme! As músicas não-originais foram todas refinadamente escolhidas para nos transportar para todos os filmes de acção que vimos ao longo da nossa vida.

Este filme é incrivelmente satisfatório em imensos níveis ao mesmo tempo! É fenomenal de quantas formas diferentes este filme foi tão bem pensado e tão bem executado!
É possível que não se goste deste filme. Mas é impossível negar que existe nele mestria cinematográfica!

Eu volto a repetir: o melhor filme que vi o ano todo!

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