Where the hell is Matt? - alteração
Bom, afinal o ministro da silly dance vai estar na Praça do Comércio, dia 7 de Junho, às 17h.
:)
Bom, afinal o ministro da silly dance vai estar na Praça do Comércio, dia 7 de Junho, às 17h.
Ele dança, ou movimenta-se, não sei. "Dance bad", is what he says.
5a-feira, hora de almoço. faço zapping pelos canais, e detenho-me - ao contrário do que é usual - na TVi, onde passa um qualquer programa de início de tarde apresentado por júlia pinheiro. o assunto em discussão é a bárbara agressão de que foi vítima um jovem actor da estação, e que a mesma estação tão bem sabe capitalizar. e eu ali, especado, contribuindo para a conversão de um drama pessoal em audiências. adiante..entre os convidados encontra-se uma igualmente jovem colega do agredido, que, questionada pela anfitriã acerca da importância e dos riscos do consumo excessivo de álcool nas saídas à noite, se sai com a seguinte afirmação: «eu penso que devemos educar os nossos filhos para que façam um consumo regular de álcool». o meu cérebro pára durante brevíssimos instantes, e quase ouço os neurónios a fundir. bem sei que regular significa, antes de mais, conforme as regras, e que pode perfeitamente tomar o sentido de moderado, equilibrado. mas relembro que se trata de um programa pós-prandial, e que os telespectadores estarão certamente mais concentrados na digestão da comida do que das palavras. sendo o adjectivo regular mais comummente empregue com a acepção de habitual ou frequente, não terão as pessoas lá em casa acabado de ouvir dizer que o melhor que podem fazer para evitar problemas de monta é incentivar os filhos a beber álcool com regularidade? não quero subestimar a sensatez deste povo, mas desde que soube que para muita gente uma relação sexual protegida corresponde a calçar as meias antes de voltar a pôr os pés no chão..já não me fio! é, no entanto, júlia pinheiro quem me ajuda a recordar o motivo pelo qual não suporto o canal 4 - referindo-se à sua idade, a apresentadora afirma que já é profeta (provecta). já é profeta..do apocalipse linguístico, só se for!
Etiquetas: Língua Portuguesa, Televisão
Foi a bonita J. que me deu a notícia: já saiu o des1biga. Após esta longa espera, temos uma capa amarela. Há quem diga que este número está muito bom, e eu concordo. Aguardamos o feedback dos leitores, por aqui.
segundo palavras do próprio sérgio godinho, proferidas no magnífico concerto que deu no passado sábado no teatro maria matos, a série infantil os amigos do gaspar1 irá ser editada em dvd num futuro próximo. a audiência - na qual eu me encontrava (cof, cof) - foi ainda brindada com o tema é tão bom, que surgiu de cara lavada e com novo fôlego, de resto à semelhança do que sucedeu com todas as canções vintage nessa noite revisitadas (excepção feita a é terça-feira, interpretada pelo cantor a solo, de guitarra a tiracolo). é de tal forma fascinante o resultado desse processo de actualização 2 - ou modernização, se preferirem - das músicas mais antigas, em novos arranjos e sonoridades, que sou levado a deixar aqui um apelo: que o sérgio godinho e os assessores gravem de novo a discografia do autor, ou, pelo menos, uma colectânea com as melhores faixas de cada álbum! sim, o irmão do meio (2003) serviu em parte esse propósito, é certo. mas há muito mais para além dos clássicos, e preciosidades como o rei vai nu não merecem ficar ganhando pó no baú do tempo, quando as suas novas versões são tão, tão boas! destaque ainda para a canção liberdade, intemporal na sua mensagem, e com ímpeto reforçado pela energia com que foi tocada. sérgio godinho (em) ligação directa foi, sem dúvida, uma experiência revigorante..
2 - só para que possam ter uma ideia daquilo a que me refiro, deixo-vos a nova versão da canção o primeiro gomo da tangerina. dêem um desconto à voz do sérgio, que nesta interpretação não está grande espingarda..
Etiquetas: Concerto, Os Amigos do Gaspar, Sérgio Godinho
Começou por ser mais um caso público de praxe violenta. No dia seguinte passou a dois. No primeiro caso, um jovem estudante viu-se "imobilizado por colegas mais velhos e alguns começaram a rapar-lhe os pêlos púbicos com uma lâmina de barbear" do que "resultou o rompimento de parte do escroto do caloiro", segundo conta um jornal diário. O outro "para além de unhas negras, resultantes de apanhar com uma colher de pau" sofreu cortes no couro cabeludo com uma tesoura enquanto lhe cortavam o cabelo, segundo outro jornal diário regional. Um apresentou queixa ao Conselho de Veteranos (CV), o outro, junto das autoridades policiais.
José Luís Jesus, dotado do "nobre título" dux veteranorum da Universidade de Coimbra, garante-nos que os agressores "estão devidamente identificados"; que ainda "esta semana serão feitas todas as averiguações"; e que caso tenha havido abusos "o CV vai até às últimas consequências". Além de se fazer passar por uma autoridade para tratar o que as leis normais, iguais para toda a gente, deveriam resolver, este estudante acrescentou ainda, em declarações mais recentes: "já sabemos que é tudo mentira! Se o estudante tem um rompimento no escroto, foi porque fez outra coisa qualquer!" Parece incrível, mas é verdade: as "leis" da praxe são feitas para proteger e fomentar a barbaridade e não precisam de grandes averiguações para "julgar" e tomar as suas "decisões".
Surge então uma pergunta: Que entidade é esta, o "CV", e as pessoas que o constituem, os "duces", que se auto reveste do poder de identificar, averiguar, julgar e condenar situações nas quais não esteve directamente envolvida? O Estado reconhece-lhe esse direito?
É inaceitável que se pense que as pessoas que praticam as praxes podem ser as mesmas a fiscalizar os actos por si praticados, e ainda para mais consideradas idóneas. Como se pertencessem a uma instituição à parte, numa proposta de mundo à parte – a Universidade. É exactamente essa proposta de Universidade-fortaleza, fechada ao mundo, que recusamos.
A sociedade vai perdendo a ilusão de que as praxes não passam de um conjunto de brincadeiras menores e que até é normal que tenham instituições próprias que a regulem. Mas se por algum motivo não tivessem acontecido cortes no escroto ou no couro cabeludo, nódoas negras e hematomas, estes casos teriam sido notícia? O CV consideraria aquela praxe admissível?
O Conselho de Veteranos talvez responda sim a esta pergunta alegando, em defesa dos agressores, que o aluno aceitou ser praxado. E novas questões se colocam: em que condições aceitou ser praxado? Foi de livre e espontânea vontade que avançou para a praxe, com o conhecimento prévio do que lhe poderia acontecer? Não foi persuadido sob nenhuma forma, física ou psicológica (e o motivo da integração adapta-se perfeitamente a este tipo de persuasão) para se submeter à vontade dos praxantes?
Infelizmente, sabemos que a coragem de não aceitar e denunciar estas violências é quase sempre "premiada" com o abandono e a hostilização das vítimas e a cumplicidade com os agressores: o passado recente mostra-nos que os responsáveis pelas escolas e pelo ministério são os primeiros a contribuir para o clima do medo e da impunidade.
O Movimento Anti "Tradição Académica" não aceita esses poderes obscuros e sem qualquer legitimidade e considera que estes casos não são acontecimentos isolados mas que acontecem devido à própria natureza da praxe. Condenamos as violências inerentes às praxes quer se tornem em casos públicos ou não. Apelamos aos estudantes que rejeitem qualquer forma de praxe, bem como todas as imposições e os poderes absurdos de estudantes sobre estudantes disfarçadas de brincadeiras e "tradição". A lei da praxe não vale nada, nem pode sobrepor-se às leis do país e ao convívio entre estudantes sem imposições, sem chefes e sem violências.
Por último, mantemos a expectativa de que o Sr. Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Prof. Mariano Gago, mantenha o perfil de indignação que já demonstrou relativamente a situações semelhantes, esperando ainda pelo momento em que verdadeiramente coloque na agenda a reflexão e acção sobre este tema. Para ele, como para toda a comunidade escolar e sociedade em geral, desistir e abreviar responsabilidades seria uma atitude inaceitável. E speremos que, à semelhança do que aconteceu noutros casos como o de Ana Sofia Damião, não seja a própria instituição escolar a querer ocultar o que se passou para manter o bom nome da casa.
o Armando Teixeira que não joga no Benfica já demonstrou em Le Jeu (2003) que está longe de ser petit em termos de talento musical. mas trocadilhos à parte, o projecto Balla é mesmo muito bom! e esta é uma verdade que A Grande Mentira (2006) só vem comprovar. segue-se o vídeo de O Fim da Luta, o primeiro single extraído deste terceiro álbum de pop electrónico em português - bom proveito!
Etiquetas: Música Portuguesa
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo os teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a espetar-lhe as costelas
e o riso que nos mostra
é uma ténue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
Unicamente por causa da desordem crescente